DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O FUTURO DO TURISMO NO SÉCULO XXI

Recomendações para reinventar, adaptar e inovar no contexto da pandemia COVID-19

Negócios de viagens, hospitalidade, gastronomia, entretenimento e cultura são importantes vetores de desenvolvimento regional e geradores de rendas, tanto nacionalmente quanto via mobilidade internacional. A pandemia do COVID-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março de 2020 atingiu esses setores de forma severa e lança desafios imensos, principalmente às MPEs, que dependem da mobilidade de pessoas para seus negócios

A crise é global e sem precedentes. Cooperação e parcerias são os caminhos para encontrar soluções mais rapidamente, tanto em âmbito técnico quanto político. Além do cumprimento de novas regras sanitárias, priorizar adaptações para o público que viaja em raios de 100 a 200 Km, no primeiro momento, pode ser a chave no início da retomada

Esperando contribuir principalmente nas oportunidades da retomada, a Amplia Mundo analisou pesquisas, artigos e uma seleção de iniciativas nacionais e internacionais, incluindo, em especial, formas de adaptar-se à realidade da pandemia no setor de viagens e lazer. A intenção é alimentar as informações aqui disponibilizadas constantemente, de forma a servir como um canal de conhecimento cerca ao novo cenário e seus desdobramentos. 

Última atualização em 09/07/2020

TENDÊNCIAS E OPORTUNIDADES PARA O AMANHÃ

A retomada do turismo depende, principalmente, da recuperação econômica tanto em  âmbito nacional quanto internacional. O Fundo Monetário Internacional projeta, para o pós-pandemia, crise tão grande quanto à  Grande Depressão de 1929.  

Entretanto, a necessidade de lazer e descanso, da quebra de rotina, de viagens curtas,  pequenos “luxos”, do contato com a natureza e a busca por novas experiências, como as gastronômicas, seguirão, como aponta pesquisa realizada pelo GlobalWebIndex (20-27 abr, 2020) que indica que os consumidores priorizam para compra, no pós-pandemia, viagens de férias acima de outras aquisições, como roupas ou eletrônicos.  

 

A questão nesse momento é reinventar o como. Viu-se, na China, em abril, uma retomada volumosa de visitas a atrativos e parques logo após o fim do lockdown. No entanto, ainda é discutível como decisões de viagens serão tomadas, principalmente diante de orçamentos possivelmente reduzidos para viagens e lazer, de indivíduos ou famílias que podem ter sofrido com a desaceleração econômica,  desemprego ou redução salarial.

TENDÊNCIAS E OPORTUNIDADES

Planejar cenários futuros em turismo passa por variáveis ainda incertas. Então, quais serão as tendências aceleradas, as tendências desaceleradas, as tendências que sumirão e as que avançarão? Apontamos as principais, com base em indicações de pesquisas, brasileiras e internacionais:

MADURO

Tendências desaceleradas

Uma das tendências notáveis é a atenção ao consumo, ao desperdício e à preocupação com o coletivo. O voluntariado e o turismo social têm mais prioridade em sociedade mais inclusiva.

Durante uma recessão, os turistas diminuem as credenciais de “serem ecologicamente corretos” em detrimento de viagens mais baratas. O custo da viagem fala mais alto do que o “turismo sustentável”.

Tendências dominantes

Reconexão com núcleos familiares ou amigos do círculo mais próximo de amizade.

Pessoas podem buscar viajar menos, ficar em destinos próximos de casa, gastar menos e investir em férias com alto custo x benefício: hospedagens confortáveis e simples , contato com a comunidade local, com a natureza e mais tempo livre. Estar menos conectado ao online, apreciar mais uma praia ou vista da montanha.

Durante uma recessão, excessos estão sob os holofotes. O foco na responsabilidade social corporativa e na ação governamental nunca foi tão alto.  Transparência e cuidado com suas equipes são importantes.

LENTO

ACELERADO

Tendências QUE DESAPARECEM

Há opção por experiências que são simples, autênticas, relativamente baratas e que conectam as pessoas à natureza em detrimento de experiências exóticas, caras, frívolas, arriscadas ou ambientalmente destrutivas.

Vivemos em mundo de fake news, de certa descrença quanto à qualidade das informações fornecidas por governos,  economistas, acadêmicos e líderes da indústria do turismo. Uma recessão muda isso e retoma a atenção a instituições.

Tendências ACELERADAS

Análises em big data, web analytics e ferramentas de conhecimento aprofundado dos clientes permitem que empresas personalizem sua experiência de acordo com uma série de recomendações sobre o que você gosta, o que poderia fazer, onde poderia ficar e quanto quer gastar.  Mais acerto nas propostas, nas vendas e, principalmente, nos investimentos em promoção e marketing.

Turistas barganham preços e buscam informações mais aprofundadas sobre atividades, experiências, críticas e preços. Do ponto de vista de negócios e de destinos, trata-se de disponibilizar informação online, de qualidade e com fáceis ferramentas de busca e compra.

Sem nenhuma surpresa, em uma recessão, os turistas preferem destinos domésticos. Para que o mercado interno seja bem-sucedido, inovação e  novas experiências são importantes.  Encontrar perto de si o que buscaria no exterior, ainda que em caráter aproximado, se torna fundamental.

  • Localidades em raio entre 100 a 200 km devem ser os prioritários 
  • Viagens feitas em veículos próprios ou automóveis alugados 
  • Contato com natureza, sol e praia 
  • Orçamentos reduzidos exigem  menor índice de exigências. O confortável terá prioridade ao extravagante 
  • A implantação de novos padrões sanitários e cuidados com as pessoas deve partir principalmente dos estabelecimentos e dos destinos
  • Propriedades localizadas fora de zonas turísticas tradicionais, em espaços de grandes áreas naturais, com possibilidades de atividades ao ar livre, são as mais buscadas na plataforma Airbnb, segundo dados relativos a reservas para o feriado de 4 de Julho, celebração da Independência Norte-Americana. Além disso, foi observado aumento significativo em buscas por casas localizadas em raios de até 500 km da residência do hóspede,  em áreas rurais, com características para férias em família e hospedagens exclusivas, como chalés e hotéis butique (pequenos).

 

No corporativo: 

  • O maior uso de videoconferência afetará severamente as viagens individuais, principalmente para fins corporativos ou viagens MICE 
  • Viagens de negócios, quando essenciais, devem ser curtas

 

Em viagens internacionais: 

  • Algumas barreiras às fronteiras permanecerão em vigor muito tempo após a resolução dos problemas de saúde. Haverá filas de imigração mais restritas e com novas exigências de documentação (como atestados de saúde)
  • Surgirão novos comportamentos de compra, como a necessidade de acréscimo de seguros para remarcação e emergências de saúde e a opção por meios de transporte mais “respiráveis”, como transportes terrestres (automóveis e trens)  
  • Regular os trabalhadores da economia informal e pessoas dependentes de plataformas, como Airbnb e Uber
  • A mobilização da indústria do turismo frente à pandemia (locais de grandes eventos convertidos em hospitais; hotéis cedendo camas e alimentos agora disponíveis; guias turísticos como socorristas locais; restaurantes como grandes doadores de refeições) pode criar uma nova significação para a relação da integração da atividade nas comunidades em que opera
 

FONTES: Hosts Set to Safely Welcome Fourth of July Guests; Skift Viewpoint series; OECD Covid-19 Tourism Policy Responses; Um futuro modelo para a resiliência? Como podemos adaptar o turismo e apoiar as comunidades locais?

 

OS DESAFIOS DA CRISE COVID-19 E SEUS IMPACTOS NO SETOR DE VIAGENS E TURISMO

Nenhuma crise tem similaridades em relação a forma, duração, demanda por recursos e nem as mesmas ameaças temporais, sociais e econômicas. A dimensão da crise causada pelo COVID-19, no entanto, está além de tudo o que o setor já havia experimentado.

Se antes debatíamos problemáticas relacionados ao volume exagerado de visitantes em locais com restrições físicas ou o efeito em seus recursos naturais (overtourism, por exemplo), hoje o setor enfrenta uma nova realidade, imensuravelmente oposta: os turistas sumiram! O impacto econômico variará entre empresas, destinos e subsetores, a depender de vários fatores, como: produtos, serviços e experiências ofertados no local (e seu apelo junto à demanda), o rigor das restrições de viagens, a velocidade com que a economia em geral se recupera, o tamanho do mercado interno de turismo e a importância do turismo na economia local.

OS DESAFIOS DA CRISE

O QUE ESTIMAM AS ORGANIZAÇÕES

A Organização Mundial do Turismo (OMT), que inicialmente previu uma queda do turismo internacional de 3%, e, em 24 de março, entre 20 e 30%, anunciou, em 12 de maio, uma estimativa revista com recuo entre 60 e 80% para este ano, em comparação a 2019. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou para queda da atividade entre 60% e 80%, caso a recuperação se inicie somente a partir de Dezembro. Já o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estima perdas potenciais de empregos para 197 milhões em todo o mundo. Em resumo:

Diminuição de US$ 910 a US$ 1,2  trilhão em exportações de turismo (receitas totais)

Perda de entre 850 milhões e 1,1 bilhão de turistas internacionais

Perda entre 290 e 440 milhões de turistas internacionais em 2020, fazendo a atividade turística recuar a níveis de 2012-2014

Até 197 milhões de empregos do setor perdidos em 2020

Potencial perda de PIB em viagens e turismo de até US$ 5,5 trilhões em 2020

FONTE: OMT

FONTE: OMT

FONTE: OCDE

FONTE: WTTC

FONTE: WTTC

Outros números indicam a abrangência dos desafios que o setor enfrenta em cada segmento:

  • 100% dos países impuseram restrições de entrada e saída em suas fronteiras;
  • A aviação comercial deve sofrer, em comparação a 2019, uma perda de US$ 314 bilhões em receitas (-55%)
  • Redução estimada de 44% a 80% na estimativa do tráfego de passageiros internacionais para 2020
  • Perda estimada de 57% ou mais de US$ 97 bilhões em receitas aeroportuárias em 2020, em comparação com o cenário normal
  • Um maior impacto esperado na Europa, seguido pela Ásia/Pacífico e América do Norte
  • Dados da ABEAR indicam que a demanda por viagens aéreas registrou em abril queda de 75% no doméstico e 95% no internacional, com as cias aéreas operando somente a 8,4%  da capacidade em relação ao mesmo período de 2019
  • Dados da ANAC indicam que a demanda por viagens aéreas registrou em abril queda de 75% no doméstico e 95% no internacional, com as cias aéreas operando somente a 8,4%  da capacidade em relação ao mesmo período de 2019. Em maio, a queda foi de 91% no doméstico e 96,7% no internacional

FONTE: IATA; ICAO; ANAC

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que

  • O volume de reservas globais de hotéis atingiu, em 3 de junho, apenas 29,62% dos níveis comparados ao mesmo período do ano anterior
  • Grandes redes de hotéis viram suas ações despencar: rede Marriott caiu 48,5% os resorts MGM caíram 58,2% em 13/abril em comparação a mesma data em 2019
  • Entre 15 e 21/março, a ocupação diminuiu mais de 90% em 11 países analisados e em 39 a ocupação na mesma semana caiu mais de 70% em comparação a 2019
  • A média de ocupação na China caiu 89% nas duas primeiras semanas de fevereiro, permanecendo abaixo dos 10%
  • Até 2/abril,  reservas no Airbnb haviam caído entre  41%  e  96%.5 em todo o mundo
  • Queda de 70% a 90% no volume de reservas em hotéis brasileiros até o final de abril, segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB)

FONTE: OCDE; SITEMINDER

  • De acordo com estimativas da Associação Global da Indústria de Exposições (UFI), ao menos US$ 145 bilhões em contratos serão perdidos caso eventos não ocorram conforme o planejado até o segundo trimestre de 2020, gerando perdas 
  • Uma redução de ao menos 50% é esperada na venda de operadores de tours na Europa
  • As principais companhias de cruzeiro, como Carnival Princess Cruises, Norwegian Cruises e Royal Caribbean anunciaram a suspensão imediata das operações globais
OS DESAFIOS DA CRISE

E NO BRASIL?

O estudo “Impacto Econômico da Covid-19 Propostas para o Turismo Brasileiro”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas indica que, após 3 meses de interrupção de atividades (março a maio), será a partir de junho a retomada do reequilíbrio nos negócios. Haverá um período de estabilização, de aproximadamente 12 meses (18 meses no caso do turismo internacional), seguido de recuperação econômica. Para compensar perdas, será necessário que o turismo cresça, em média, 16,95% ao ano em 2022 e 2023. Entretanto, nova edição do mesmo estudo, publicada em 3/junho, aponta que o período de interrupção das atividades será agora de 5 meses, com 12 meses para a recuperação do turismo doméstico e 24 meses para o turismo internacional para retornar aos níveis de 2019.

Já o Euromonitor International estima que as chegadas ao Brasil diminuam em 50%, enquanto o cenário de recessão profunda represente uma queda de 54% para a categoria neste ano. Em consonância, estudo do SEBRAE com pequenos negócios em turismo, comumente os mais afetados, aponta que 94% dos registraram queda no faturamento mensal no mês de março, que apresentou uma retração de 30% no índice de atividades turísticas na comparação com fevereiro. Esta é a maior queda registrada desde janeiro de 2011, quando teve início a medição pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado atribuído ao avanço da Covid-19.

Neste cenário, a Associação Brasileira de Operadoras de Turismo, em dados consolidados até o final de março revelam que os cancelamentos e adiamentos das viagens geraram um impacto de cerca de R$ 3,9 bilhões, ou seja, 25% do faturamento 2019 das operadoras associadas. Para Abril, as perdas são  estimadas em 1 bilhão de reais, com vendas abaixo de 10% do total faturado no mesmo mês do ano anterior.

Em um panorama geral, mesmo sendo um setor essencialmente privado, a força das políticas governamentais será fundamental para a recuperação e capacidade de geração de empregos e divisas no mercado brasileiro, embora a velocidade e consolidação das medidas sejam imprevisíveis devido ao quadro extremamente incerto.

RESPOSTAS À CRISE

COMO OS GOVERNOS ESTÃO ENFRENTANDO A CRISE ATUALMENTE?

PANORAMA GERAL

A confiança do consumidor provavelmente só retornará com programas de governo que incentivem as pessoas a viajar novamente, ao passo que ofereçam garantias de medidas de saúde pública e de prevenção robustas. Países que dependem mais diretamente de receitas da atividade turística (por exemplo, o turismo na Espanha contribui com 14,6% do PIB, enquanto no México representa 17,2%, na França, 9,5% e no Brasil 8,1%*) tendem a ter respostas mais rápidas e incisivas a fim de amenizar os danos na economia pelas perdas do setor.

*Tourism WTTC Global Economic Impact Trends 2019

RESPOSTAS À CRISE

RECOMENDAÇÕES DE INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS EM TURISMO

Para a OCDE, surgem três categorias e tipos de respostas principais de medidas governamentais perante à crise: 

 

  • Proteger as pessoas: proteger os visitantes (ex: informações, assistência ao repatriamento, proteção ao consumidor) e os trabalhadores do turismo (ex: prover apoio à renda) 
  • Garantir a sobrevivência das empresas: para toda cadeia de abastecimento do turismo e, em particular, ajudar as PMEs, incluindo apoio ao fluxo de caixa
  • Criar mecanismos de coordenação: incluindo forças-tarefa e medidas de coordenação para melhor direcionar as respostas e apoiar a recuperação do setor (ex: diálogo com o setor privado, fornecimento de dados e coordenação de ações políticas para o curto, médio e longo prazo)

Igualmente, o WTTC indica três áreas prioritárias a serem trabalhadas em políticas públicas de combate à crise: 

 

  • Proteção dos meios de subsistência dos trabalhadores: Deve ser concedida ajuda financeira para proteger a renda de milhões de trabalhadores em dificuldade grave
  • Apoio fiscal: o governo deve conceder empréstimos com condições especiais às empresas. Taxas e demandas financeiras do governo para com setor precisam ser renunciadas com efeito imediato por pelo menos os próximos 12 meses
  • Injeção de liquidez e dinheiro: a assistência ao fluxo de caixa para apoiar grandes e pequenos players do setor de viagens e turismo é fundamental, além de oferecer apoio direcionado às indústrias do setor severamente afetadas

→ O WTTC publicou (12/05) protocolos globais de segurança para o “novo normal” em viagens. Denominado “Safe Travels”, a ação objetiva a criação de regras comuns para aplicação nos principais setores de viagens e turismo, incluindo hotelaria, aviação, aeroportos, cruzeiros, varejo, MICE e operadores turísticos, entre outros.

 

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O Global Tourism Crisis Committee, da OMT também divulgou um conjunto de 23 recomendações para a recuperação e retomada do setor de turismo global, divididas em três áreas principais: 

  • Gestão da crise e redução do impacto: as principais recomendações estão relacionadas à manutenção de empregos, apoio a trabalhadores autônomos, garantias à liquidez e revisão de impostos, taxas e regulamentos relacionados a viagens e turismo 
  • Estimular e acelerar a recuperação: as ações desse bloco enfatizam colocar o turismo no centro das políticas e planos de ação nacionais de recuperação, fornecer estímulos financeiros e facilitar processos de imigratórios tão logo a emergência sanitária permitir, restaurando a confiança do viajante
  • Preparar-se para o amanhã: destacando a capacidade única do turismo de liderar o crescimento local e nacional, as recomendações enfatizam a contribuição do setor para a criação de uma Agenda de Desenvolvimento Sustentável e para gerar aprendizado a partir das lições da atual crise

→ A OMT divulgou (12/05) o Programa de Assistência Técnica para a Recuperação do Turismo da Covid-19, que, em consonância com a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), presta apoio a empresas, setor privado e ONG’s em três âmbitos potenciais de intervenção, para acelerar a recuperação do turismo: econômico, promocional e institucional

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→ A OMT apresentou (28/05) um conjunto de diretrizes para ajudar o setor de turismo a emergir da pandemia mais forte e sustentável. As diretrizes destacam a necessidade de agir decisivamente, restaurar a confiança e, em parceria com o Google, promover a inovação e a transformação digital do turismo global. Viagens seguras, fluídas e o restabelecimento da confiança são as prioridades-chave.

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RESPOSTAS À CRISE

UM OLHAR PARA O PASSADO:
GESTÃO DE CRISES

A pandemia atual provavelmente se estenderá por um período muito mais longo do que a maioria das crises anteriores, que surtiram efeitos mais localizados, nacional ou regionalmente.  Entretanto, um panorama com vistas à recuperação de crises passadas pode ajudar a compreender como países enfrentaram e se reergueram diante de adversidades.

Crise: série de atentados terroristas em Bali em 2002 e 2005

 

Problemas enfrentados: 

  • Declínios nas chegadas internacionais de visitantes de 11% em 2002 e 6% em 2005
  • Declínio de 10% no ticket médio do turista nos períodos de crise

 

Algumas medidas tomadas:

Sucessivos governos indonésios implementaram intensivas campanhas para restaurar a imagem do país;

  • Criação de uma equipe de gerenciamento de crises encarregado de diversificar produtos, bem como mercados de origem 
  • Facilitação de procedimentos de entrada para visitantes, adicionando países à isenção de visto
  • Facilitação no regulamento de desembarque de passageiros de iates e navios de cruzeiro em portos indonésios
  • Competitividade em preços e valorização dos  recursos naturais e locais do patrimônio mundial 
  • Promoção, diversificação de mercado, novas áreas regionais e nichos de mercado, maior promoção do mercado interno, aumento de ofertas de pacotes, gerenciamento de plataformas de tecnologia e mídia social e serviços e produtos de qualidade 
  • Bali comercializada com porta central para iates e cruzeiros, enquanto o turismo de saúde e bem-estar também foi desenvolvido
  • Medidas de proteção e segurança foram implementados assim como treinamento e conscientização para os membros da indústria para contenção em momentos de crise
  • Alertas de viagens internacionais sobre ameaças terroristas revisados ​​regularmente, com mudança nos conselhos dados, representando um indicador de conscientização e preparação do autoridades para enfrentar qualquer risco de crise futura
  • Esforços em pequena escala para desenvolver e comercializar agroturismo, ecoturismo e safaris
  • Reconhecimento internacional do Conselho de Turismo de Bali por seus esforços para o desenvolvimento do turismo e restauração da imagem de Bali, com o prêmio de: ‘Destino principal das ilhas do mundo’ em 2014, pelo World Travel Awards, o que ajudou a promover a ilha como um destino seguro e atraente para se visitar

Crise: surto de H1N1, conhecida como gripe suína, em 2009

 

Problemas enfrentados: 

  • Em um período de duas semanas: queda de 82%  na chegada de turistas internacionais em Cancún; queda de 55% na ocupação dos hotéis da Riviera Maya
  • Queda de 40% no fluxo turístico doméstico nos meses subsequentes
  • Perda de cerca de 10 mil postos de trabalho na região da Riviera Maya
  • 43% de queda nas receitas oriundas do turismo no ano (cerca de US$ 5 bilhões), o que representou queda de 0,5 a 1% no PIB mexicano

Algumas medidas tomadas:

  • Empréstimos para hotéis e companhias aéreas, cortes nas taxas de aeroportos e portos e redução de impostos para empresas no valor total de US$ 450 milhões
  • Campanha multimilionária para restaurar a marca México, centrada em ofertas e comercialização para os principais mercados, com hotéis e agências cortando tarifas em cerca de 70% 
  • Campanha de comunicação e promoção chamada “Vive México”  lançada pelo Governo Federal, ao custo de cerca de 60 milhões de euros, juntamente com um portal na Internet para o acesso a pacotes turísticos promocionais oficiais, informações da campanha e download de imagens

Crise: furacões Irma e Maria em setembro de 2017, que atingiram principalmente os territórios de Cuba, Porto Rico, Ilhas Virgens Britânicas, Anguilla, São Bartolomeu (St Barth), St. Maarten e St. Martin e Antígua e Barbuda

 

Problemas enfrentados: 

  • Embora os furacões tenham atingido menos de ⅓ das ilhas caribenhas, o equívoco público de que todo Caribe foi alcançado pelas tempestades foi prejudicial para a região
  • Perda de 826.100 diárias internacionais no Caribe no ano
  • Queda de 2,5% anuais do número esperado de visitantes da região
  • Perda de aproximadamente US$ 741 milhões em gastos dos visitantes que aportariam US$ 292,5 milhões no PIB e apoiariam mais de onze mil empregos nas regiões afetadas

 

Algumas medidas tomadas:

  • Investimento das grandes cadeias hoteleiras internacionais para reconstrução e construção de novos hotéis
  • Retomada da campanha “O Melhor do Caribe”, parceria da Copa Airlines e ilhas de Anguilla, St. Maarten e St. Martin para o aumento da frequência de voos para região através de peças publicitárias
  • Investimentos de companhias de cruzeiro – na casa de US$ 30 milhões somente em Porto Rico
  • Ajuda humanitária de órgãos como UNPD, ONU, BM, FMI e ONGs foram relevantes para a região 
  • Pacotes de “turismo voluntário” foram comercializados por algumas ilhas para atrair visitantes que desejavam ajudar a restaurar e limpar detritos causados pelos furacões; 
  • Campanhas de marketing realizadas pelos países não afetados pelos furacões para impulsionar a imagem de segurança

Crise: terremoto em setembro de 1999

 

Problemas enfrentados:  

  • Grupos de turismo internacionais despencaram em média cerca de 90% nos meses subsequentes
  • 50% dos grupos de turismo domésticos reservados foram cancelados após o terremoto 
  • Estima-se que a indústria do turismo tenha perdido US$ 30 bilhões em NT (cerca de US$ 1 bilhão) entre 21 de setembro de 1999 e 10 de janeiro de 2000 (Taiwan He @ dlines, 2000)
  • Ampla cobertura da mídia internacional sensacionalista em relação ao desastre, diminuindo o valor de  mercado da ilha como destino turístico

 

Algumas medidas tomadas:

  • Estratégias reativas, como renomear o “terremoto de Big Taiwan”, que passava a mensagem de grande alcance territorial de danos para “o terremoto de Chi Chi”, região de fato mais danificada pelos tremores 
  • Campanha “Taiwan agradece o mundo”, disseminada por meio da mídia internacional após o terremoto, seguida de “Tour Taiwan à vontade”, estratégia de marketing global para atrair viajantes estrangeiros
  • Famtour com mais de mil representantes internacionais de mídia e operadoras de turismo às áreas afetadas, para promover a reconstrução e restabelecimento da atividade no local
  • Auxílio fiscal e subsídio financeiro governamental à hotéis, agências de viagens e atrativos afetados pelo terremoto, em conjunto com atividades promocionais, como deduções de preços e desenvolvimento de novos eventos e destinos
RESPOSTAS À CRISE

UM OLHAR PARA O AGORA:
COMO OS PAÍSES ESTÃO RESPONDENDO À CRISE

Uma tendência positiva observada é o trabalho integrado entre governo e organizações de gestão de destinos, para reforçar ações e programas existentes e incorporar linhas de propostas inovadoras, como campanhas de marketing remodeladas para incentivar a demanda de mercados alternativos, olhares rumo ao futuro como oportunidade para repensar o sistema de turismo, e uso de ferramentas para compartilhar informações e dados atualizados com todo o trade. Nesta seção colocamos algumas dessas práticas encontradas por nossa equipe:

RESPOSTAS À CRISE

E NO SETOR PRIVADO?

À parte da importância do incentivo governamental durante crises econômicas para empresas e negócios de turismo, ações conduzidas pelo setor privado – de cadeias hoteleiras e companhias áreas a pequenas agências receptivas e hotéis familiares – garantem uma recuperação mais amena em meio ao cenário incerto da pandemia.

Afetadas diretamente pelo encerramento temporário de diversas operações, que desencadearam na redução de reservas, receitas e empregos, buscam respostas a curto prazo – alteração de políticas de reserva, aumento da flexibilidade em remarcações, concessões de créditos de compra para uso posterior, campanhas de marketing para manutenção do engajamento social – enquanto alternativas de médio e longo prazo são buscadas. 

Essas respostas podem se tornar incentivadoras de uma reinvenção de toda a cadeia turística, ao se preservarem ações efetivas adotadas que possam servir de base para uma operação mais reativa e flexível no futuro. Aqui separamos algumas iniciativas que se destacam nesse contexto.

A OMT anunciou os nove finalistas do “Desafío de Soluciones para devolver la salud al Turismo” que identificou soluções inovadoras para mitigar o impacto do COVID-19 no turismo. Para a categoria “devolver a saúde às pessoas”, foram quatro finalistas: CleanScan /Chameleon  Welcome Back (Canadá/EEUU), Outpost Healthy Destinations (Canáda), SeeTrue (Israel) e Smart Occupancy (España); para  “devolver a saúde à prosperidade”, dois finalistas: MyStay (República Checa) e WAAM (Polonia); e para  “devolver a saúde aos destinos” três iniciativas foram selecionadas: Airside (EEUU), Beautiful destinations (EEUU) e iBonus COVID19 Digital Prevention System (Hong Kong, China). A iniciativa brasileira Smart Tour   –  project: Smart Tracking, da startup catarinense Smart Tour Brasil foi semifinalista na categoria “devolver a saúde às pessoas” e está sendo aplicada em Gramado/RS.

RESPOSTAS À CRISE

UM OLHAR PARA O FUTURO:
COMO O ESTUDO DE MEGATENdÊNCIAS E AS ANÁLISES DE CENÁRIOS FUTUROS
PODEM NOS AJUDAR?

Em tempos de extremas mudanças, é necessário se adaptar. A revisita de estratégias e a agilidade nas decisões para novos rumos estão diretamente relacionadas à compreensão do planejamento de cenários futuros possíveis.

As megatendências nos oferecem as direções para planejar futuros, principalmente por serem globais, multisetoriais e multigeracionais. Analisamos megatendências que devem se alterar no curto e no médio prazo, diante do contexto pandêmico.  Elas são:

Crescimento Econômico

Seria momento de considerar o bem-estar como essencial nas medidas econômica e na conformação do PIB?

Globalização

Vamos regionalizar os fluxos de pessoas, o comércio e as cadeias de valor?

Mudanças tecnológicas
(desenvolvimento tecnológico)

A pandemia Covid-19 encerrou o ciclo do uso de dinheiro em espécie, e deu início ao uso massivo de veículos autônomos?

Democratização

Será preferível monitoramento constante se puder suspender ou reverter pandemias futuras?

PUBLICAÇÕES, PESQUISAS E FONTES DE INTERESSE

Para a criação deste estudo descobrimos, acessamos e desfrutamos de ricas e diversas fontes de informação, que nos orientaram e serviram de referência na construção da pesquisa. Partilhamos aqui uma pequena porém significativa bibliografia como recomendação de leituras, que possam também contribuir para o seu aprendizado.

FONTES DE INTERESSE

Pesquisas, análises e opiniões de especialistas

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